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Clínica de Cabeça e Pescoço em Teresina

JULHO VERDE 2026 - Entrevista

Apresentadora (Vanusa Coelho)

Nós precisamos de sinal de alerta quando o assunto é, por exemplo, cânceres de cabeça ou do pescoço. Existem alguns riscos. Que riscos são esses? Julho começa com um importante alerta para a saúde. É o mês da campanha nacional de conscientização e prevenção para a gente combater o câncer de cabeça e pescoço.

E quem vai conversar com a gente agora é justamente o Dr. Luiz Bastos que aceitou nosso convite para estar aqui no programa e bater esse papo com a gente, né doutor? Bom dia, Vanessa. Obrigado pelo convite. A gente que agradece, sabe doutor, que a gente sabe que a agenda de vocês é uma agenda, graças a Deus, de muitos clientes, de muitos pacientes e a gente sabe que quando vocês estão aqui no programa é sim respeito com o cidadão que está nos acompanhando, é respeito com o nosso telespectador e amor à vida. Vamos primeiro conscientizar as pessoas e as pessoas entenderem que essas campanhas se fazem necessárias. A gente sabe que cuidar da saúde é no ano inteiro, mas uma campanha como essa alerta muitas pessoas.

Cirurgião (Luiz Bastos)

Sim, essa campanha já é recorrente, nós costumamos fazer todo ano.E aqui eu acho que o Hospital Universitário sai na frente como dos pioneiros. Todo dia 30 de julho, de todos os anos, a gente tem nos reunido lá no hospital para poder tentar atender o maior número de pessoas e difundir as informações a respeito dos cânceres que acometem a região da cabeça e pescoço, que são cânceres bastante agressivos.

Apresentadora (Vanusa Coelho)

Inclusive, eu posso chamar a atenção do hospital do HU, que é hospital extremamente sério, que com certeza traz os melhores profissionais que vocês possam imaginar, eles estão concentrados lá nesse local e eu digo isso porque eu sou prova viva disso e também meus pais, enfim, e a sociedade que a gente vê que tem carinho muito grande pelos médicos que lá estão. E aí é importante a gente chamar a atenção e falar pouquinho, primeiro entender melhor sobre o câncer de cabeça e de pescoço.


A gente já começar orientando as pessoas e daí então a gente entender os fatores de risco, né doutor?

Cirurgião (Luiz Bastos)

Sim, essa especialidade da Cabeça e Pescoço ainda hoje é uma especialidade pouco conhecida e muitas pessoas confundem a cabeça e o pescoço com uma neurocirurgia e na verdade as doenças que nós tratamos estão fora do sistema nervoso central e da calota craniana. Nós tratamos as doenças que acometem o víscero-crânio, que essa região da cabeça que está abaixo da base do crânio.

Tumores da cavidade nasal, da farige, da orofarige, da garganta, que a gente chama de hipofaringe, da laringe, da traqueia e da tireoide, são os tumores que nós tratamos. Geralmente os médicos neurocirurgiões tratam os tumores relacionados ao seu nervoso central, cérebro, ao tronco cerebral, etc.

Apresentadora (Vanusa Coelho)

Doutor, tem algo que se chama muito a atenção e que muito sério e que a gente ouve falar mais na sociedade, que são os AVCs, os derrames.

Mas as pessoas muitas vezes deixam de lado a questão do câncer. Deixam de lado o câncer da cabeça, deixam pouquinho de lado o câncer do pescoço. E muitas vezes, por falta de você buscar profissional que possa realmente, de uma certa forma, te alertar sobre alguns cuidados que você tem que ter, muitas vezes passa em branco, né, doutor?

Cirurgião (Luiz Bastos)

Sim. E essa sua observação é pertinente porque nós estamos caminhando para mundo onde o câncer vai ser a principal causa de morte.

Ainda não chegamos lá, mas a cada ano que passa a casuística aumenta e a tendência é que lá para 2030 ou pouco além a gente vai ter o câncer como a principal causa de morte no mundo, superando as doenças cérebrovasculares, cardiovasculares.

Apresentadora (Vanusa Coelho)

Eu queria muito que o doutor falasse sobre questão do tabagismo e sobre, de uma certa forma, consumo, muitas vezes exagerado, de bebidas alcoólicas. Isso também, de uma certa forma, pode mexer?

Cirurgião (Luiz Bastos)

Sim. Os cânceres da cabeça e do pescoço são muito importantes estatisticamente. Se a gente pega o grupo dos homens, o quinto câncer mais comum é o câncer de boca. No Brasil isso é problema grave, de saúde pública, porque esses tumores são extremamente agressivos, o tratamento é caro e deixa sequelas que são para a vida inteira.


E nas mulheres, o câncer de tireoide já é o quinto câncer mais comum. Então quando a gente vai analisar esse grupo de cânceres, câncer de boca, por exemplo, o cigarro e o consumo de bebida alcoólica em excessiva quantidade, são os principais fatores de risco. E como são os fatores que se a gente consegue intervir facilmente, ou moderando o consumo, ou até suspender do consumo, é importante a gente falar para as pessoas que isso existe e que isso facilmente pode ser combatido com prevenção e cuidado.

Apresentadora  (Vanusa Coelho)

 

Doutor, a gente precisa alertar as pessoas, já que nós estamos na campanha e essa é a forma de a gente chamar atenção da população, como a gente pode alertar a população relacionada a esse assunto, quais são os sinais de alerta?

Cirurgião (Luiz Bastos)

Então, o objetivo da campanha é exatamente esse. A gente quer informar para as pessoas quais são os principais sintomas que elas podem apresentar quando desenvolvem algum tumor dessa região. Então geralmente é uma feridinha na boca, que está relacionada a possível câncer de boca, essa feridinha pode ser mais branca, mais avermelhada, mas geralmente ela é dolorosa e geralmente demora para cicatrizar. Então qualquer ferida na boca que aparece e persiste por mais de duas ou três semanas deve ser investigada para possível câncer de boca. Da mesma forma, caroço que aparece no pescoço e fique por lá por mais de duas a três semanas também merece investigação porque às vezes o caroço é sinal de uma doença avançada e é o primeiro sintoma que o paciente tem. É aquela metástase par ao gânglio linfático que ele não percebeu. Da mesma forma, alterações da voz. Às você tem uma roquidão por uso excessivo da voz, por alguma inflamação de via aérea superior, mas aquelas roquidões que persistem por mais de duas a três semanas precisam ser investigadas porque são dos primeiros sinais do câncer de corda vocal, que é o câncer de laringe.

Apresentadora (Vanusa Coelho)

E aí, doutor, a gente chama a atenção para os tipos de sangramentos, que muitas vezes acontecem e que passam também despercebidos. Não está sempre ali. De vez quando ele sangra. É o clima? As pessoas comparam muito ao clima, né?

Cirurgião (Luiz Bastos)

Na maioria das vezes é isso mesmo, A mucosa desidrata, ela resseca e pode fazer uma ruptura de vaso de mucosa e causar sangramento. Esse é o grande problema do câncer dessa região, 80 % dos pacientes que vêm com esse tipo de câncer, chegam em estadio avançado. São os pacientes que apresentam sangramento. As lesões que sangram são aquelas que são grandes, não são diagnosticadas cedo e progridem. E elas evoluem na história natural com algum tipo de sangramento, que pode ser sangramento importante. É importante que o paciente se confie o quanto antes para procurar a gente. Porque as doenças avançadas, elas trazem custo pessoal, porque o reflexo do tratamento sobre o paciente é muito maior, e para a saúde pública. É muito mais despendioso, o tratamento é muito mais demorado, é muito mais agressivo. Isso é problema que pode afetar todo sistema público de saúde.

Apresentadora (Vanusa Coelho)

É muito simples, a gente vê aqui várias informações que falam sobre as manchas brancas na mucosa oral, as dores constantes no ouvido, e que muitas vezes as pessoas vão guardando para si as doenças. Não, eu não vou, isso aqui vai passar, ficam nos paliativos achando que ali se resolve, você está guardando problema dentro de si. Isso também não deixa de ser alerta. Diagnosticado, doutor, quais são os exames?

Cirurgião (Luiz Bastos)

Então, o exame mais importante de fato é a biópsia. Você desconfiou que uma lesão pode ser tumoral, o que vai dizer se ela realmente é câncer é a biópsia. Então a gente promove a biópsia, a biópsia vai confirmar o diagnóstico e o tratamento vai depender de que momento que a gente descobriu a doença. As doenças que são iniciais geralmente são tratadas ou com cirurgia ou com radioterapia, geralmente com uma modalidade de tratamento. E aqueles casos bem avançados, eles vão exigir uma multimodalidade de tratamento. O paciente vai fazer cirurgia, depois da cirurgia vai fazer radioterapia, faz quimioterapia, às vezes concomitante. Exige uma reabilitação que pode envolver uma cirurgia reconstrutiva extensa. Essa atenção que as pessoas devem ter aos sinais iniciais é muito importante para que evitem chegar nesse momento que a gente precise fazer tratamento tão grave.

Apresentadora (Vanusa Coelho)

Doutor, quando o senhor fala de boca, mito ou verdade, aí eu pergunto para o senhor, alguns cânceres, principalmente quando eles estão nessas partes, a questão de coçar vai influenciar?

Cirurgião (Luiz Bastos)

Não, o que a gente sabe é que pessoas que têm uso de próteses mal adaptadas, que têm lesões repetidas de mucosa, elas têm risco maior de desenvolver uma lesão tumoral porque toda hora aquela região está cicatrizando, então está tendo mitose celular e está estimulando a mitose celular toda hora. Isso a gente considera hoje fator de atenção. Mas tem outros fatores que as pessoas desconhecem, por exemplo, a infecção por vírus HPV. A infecção por vírus HPV hoje é grave problema porque está muito associada ao câncer de garganta. E nos Estados Unidos já temos mais cânceres de garganta por HPV do que cânceres de colo de útero por HPV. Não é a nossa realidade, mas já é realidade dos Estados Unidos.

E nós estamos caminhando para isso aí, A gente vê muito mais mulheres hoje, jovens, acometidos por esse tipo de câncer, câncer de garganta relacionado ao HPV do que a gente via antigamente. Antigamente era uma doença de homem que fumava, homem acima dos 50 anos. Isso está mudando. Então a vacinação para o vírus HPV, que é gratuita no SUS, as pessoas têm acesso gratuitamente, ela deve ser feita. Tem que ser procurada, tem que ser incentivada, principalmente naquela faixa tar inicial dos 9 a 14 anos, que é quando a gente precisa começar a se preocupar com esse tipo de doença.

Apresentadora (Vanusa Coelho)

Dente também vai influenciar nessa hora?

Cirurgião (Luiz Bastos)

Sim, mal cuidado, higiene bucal mal feita é fator de risco para câncer de boca. Não é à toa que a OMS exige que as pessoas passem pelo menos uma vez por ano com o dentista e às vezes é o dentista que faz o diagnóstico. Ele descobre a doença quando vai fazer o tratamento dentário e aí encaminha para o cirurgião de cabeça e pescoço e a gente consegue tratar o paciente. 

Apresentadora (Vanusa Coelho)

Doutor, questão do sangramento nesses dentes, eles também podem ser sinal?

Cirurgião (Luiz Bastos)

Podem. Às vezes é sangramento que fica recorrente, não para, ou às vezes dente que começou a ficar mole do nada. A pessoa não tinha nenhum sinal de infecção, periodontite nem nada e começa a perceber que o dente está ficando amolecido. Às vezes uma alteração da sensibilidade da pele da região da boca pode ser sinal de acometimento já por tumor. Tudo isso tem que ser avaliado como possível diagnóstico inicial.

Apresentadora(Vanusa Coelho)

Muito bom. Doutor, nesses últimos tempos nós temos avançado termos de exames, temos avançado mais assim com os tratamentos?

Cirurgião (Luiz Bastos)

Sim, sem dúvida. A tecnologia não só ajudou a parte cirúrgica, a gente tem acesso a várias modalidades tecnológicas, tesouras cirúrgicas, materiais para hemostasia, e também o tratamento com quimioterapia, com radioterapia que está sempre evoluindo, principalmente a área de pesquisa para novos medicamentos de quimioterapia, terapias alvos, etc.

A tecnologia caminha junto com a medicina há muito tempo e na cabeça e pescoço isso também acontece.

Apresentadora  (Vanusa Coelho)

Doutor, quando gente fala de câncer de cabeça e pescoço, quem são as pessoas mais acometidas?

Cirurgião (Luiz Bastos)

Quando a gente avalia tumores de boca, laringe, aí o grupo dos homens ganha disparado. É muito mais frequente homens, geralmente homens acima dos 50 anos que têm esse hábito de fumar e beber em excesso. Mas quando nós analisamos os cânceres de tireoide, aí as mulheres ganham disparadamente. 80 % dos câncer de tireoide vão acometer mulheres. Graças a Deus, o câncer de tireoide é câncer com excelente prognóstico. A consegue curar a maioria dos pacientes.

Apresentadora  (Vanusa Coelho)

Doutor, até sobre isso eu queria falar com o senhor. A gente percebe que muitas vezes as pessoas se acomodam a esse tipo de pensamento. Aí o alerta pra gente chamar atenção dessas mulheres que muitas vezes não estão buscando seus profissionais de seis seis meses, estas que já sofrem com problema na tireoide. A gente precisa alertar essa população para que realmente não deixe de buscar seus profissionais.

Cirurgião (Luiz Bastos)

A gente ainda não tem programa de screening para câncer de tireoide como a gente tem para câncer de próstata, câncer de mama, mas existe grupo de risco que precisa de atenção. Pacientes que têm parentes de primeiro grau que tiveram câncer de tireoide, pacientes que têm exposição a tratamento radioterápico no pescoço tem maior risco de ter câncer de tireoide ou que já fizeram alguma cirurgia para tratar previamente câncer de tireoide. Na maioria das vezes a gente acaba recebendo pacientes com nódulo de tireoide encaminhados às vezes do ginecologista. Aquela paciente que engravidou ou quer engravidar e vai fazer uma pesquisa de hormônios. Na pesquisa de hormônios a ginecologista já pede uma Ultrsssom de tireoide, descobre o nódulo de tireoide e a gente vai acompanhar. Mas mulheres com história familiar e esses fatores que eu falei, têm sempre que pensar na possibilidade de ter um tumor de tireoide.

Apresentadora  (Vanusa Coelho)

Doutor, como é que estão as campanhas de vocês para esse mês e ao mesmo tempo convidar o público para fazer essa prevenção, buscar o profissional? É melhor receber uma notícia de que está tudo bem do que deixar tardar essa situação?

Cirurgião (Luiz Bastos)

Sim, infelizmente os números do INCA são preocupantes. Se a gente comparar o triênio de 26 a 28, as projeções é que haverá aumento de 10%, 70 mil casos a mais de câncer no Brasil acontecerão nesse período de 26 a 28. E isso é estrapolado para câncer de cabeça e pescoço também. Isso pode acontecer por envelhecimento populacional, melhora do diagnóstico, mas o que a gente percebe na cabeça e pescoço é que, infelizmente, esse grupo de 80 % dos pacientes que vem com doença avançada é permanente, a gente não consegue atuar muito contra isso. Então é educar a população a procurar as campanhas.  Nesse 30 de julho lá no HU nós vamos atender 100 pacientes que estão lá aguardando a consulta para o cirurgião de cabeça e pescoço, mas não deixem de desconfiar qualquer desses sinais, ferida na boca, caroço no pescoço, alteração na voz, lesão de pele, o câncer de pele ainda é o mais comum tanto homens como mulheres, e tem excelente prognóstico, quando descoberto inicialmente.

Então, as pessoas precisam aprender esses sintomas, porque só aprendendo os sintomas é elas vão procurar as campanhas.

Apresentadora  (Vanusa Coelho)

Aí, doutor, eu tinha falado se era mito verdade relacionado a determinados locais que coçam. Isso é mito ou verdade, é a história das pessoas mais antigas de que você tem que ter muito cuidado se você tem ali algo, carocinho, algo que esteja ali e que coce.

Cirurgião (Luiz Bastos)

 

É porque o ato de coçar não vai gerar tumor. Mas se formos avaliar a informação que há por trás disso, ela nem tanto é mito, porque de fato vários cânceres de pele, principalmente, eles são descobertos porque a pessoa apresenta uma pintinha lá que fica coçando, incomodando e não cicatrizando. E às vezes essa coceira, incômodo que persiste ali é a chave para ele procurar o atendimento.

Então câncer de pele, às vezes sim a coceira persistente naquela lesão que não cicatriza pode ser sim o sinal de alerta para câncer de pele.


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Dr. Luiz Bastos - Cirurgião de Cabeça e Pescoço em Teresina

MÉDICO CABEÇA E PESCOÇO EM TERESINA

Dr. Luiz Bastos

CRM-PI 4019 | RQE 2563 (Cirurgia Geral) | RQE 2564 (Cirurgia de Cabeça e Pescoço)

O Dr. Luiz Bastos é cirurgião de cabeça e pescoço com formação pela UNIFESP, domínio em técnicas avançadas e pioneirismo em procedimentos como radioablação da tireoide, cirurgia robótica e reconstruções oncológicas complexas.
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