O que são as glândulas salivares?
Você já deve ter conhecido uma pessoa com Caxumba e também já deve ter ouvido o termo “papeira” para descrever o inchaço anormal que acontece nos lados da face dessa pessoa. Pois bem, saiba que isso nada mais é do que a inflamação de uma glândula salivar chamada Parótida pelo vírus da Caxumba, o Paramixovírus.
Como o próprio nome diz, a principal função das glândulas salivares é produzir a saliva do corpo humano, substância essa que desempenha um papel fundamental na saúde bucal e na digestão dos alimentos promovendo:
- Lubrificação e diluição dos alimentos
- Proteção contra crescimento de bactérias prevenindo cáries dentárias
- Remineralização do esmalte dentário
- Iniciar digestão de Carboidratos (enzima amilase) e Gorduras (enzima lipase)
As glândulas salivares são de dois tipos:
- Glândulas salivares maiores
- Glândulas salivares menores
As glândulas salivares maiores são três, localizadas em pares uma de cada lado do rosto:
- Glândula Parótida
- Maior de todas as glândulas em tamanho, produtora de uma saliva mais serosa e menos viscosa. Dá contorno ao rosto e tem íntima relação com o nervo facial que emite seus ramos motores da face dentro dela. É a mais acometida por nódulos (85% dos tumores de glândula salivar sendo a maioria deles benignos)
- Glândula Submandibular
- Está localizada logo abaixo da mandíbula de cada lado, possuindo uma porção extra oral e outra intra oral. Apesar de não ser a maior em tamanho, produz quase 70% de toda saliva do corpo e por produzir a saliva com consistência mais viscosa é a glândula salivar mais acometida por formação de cálculos, uma doença chamada de sialolitíase que pode causar inflamação recorrente da glândula e formação de abscessos.
- Glândula Sublingual
- É a menor e mais anterior das três glândulas salivares maiores e está localizada no assoalho da boca de cada lado. É a mais relacionada à formação de Rânulas (espécie de cistos contendo saliva) por obstrução ou ruptura de um ou mais de seus ductos de excreção na boca.
As glândulas salivares menores são por volta de 1000 glândulas individuais e invisíveis dispostas ao longo da mucosa do trato aéreo digestivo superior. Tumores originados dessas glândulas são raros mas geralmente são malignos. Podemos encontrar grande concentração dessas glândulas no céu da boca na mucosa que reveste o palato.
O que pode deixar uma glândula salivar inchada? Quais as principais doenças?
Tratamos basicamente 3 patologias que acometem glândulas salivares:
- Tumores (aparecem primordialmente como nódulos palpáveis nas topografias das glândulas podendo se associar a outros sintomas)
- Sialoalitíase (cálculos que se originam nas glândulas ou nos seus ductos de excreção causando obstruções, inflamações e até infecções graves com formação de abscessos)
- Inflamações Crônicas e/ou recorrentes causando estenosses de ductos
Tumores de glândula salivar podem ser câncer?
Existe uma regra geral de comportamento em tumores de glândulas salivares. Quanto menor o tamanho da glândula maior é a chance de aparecimento de tumores malignos, ou seja, câncer. De modo que na glândula parótida, que é a maior, 80% dos tumores são benignos, enquanto que na glândula sublingual apenas 30% são.
O tumor benigno mais comum de glândula salivar é o Adenoma Pleomórfico, mais comum em Parótida com chance de 10% de transformação maligna ao longo do tempo. Também frequente existe o Tumor de Warthin, também benigno, comum em pacientes tabagistas.
O câncer de glândula salivar é uma doença rara que corresponde de 0,3 a 1 % de todas as neoplasias malignas e responde por cerca de 5 a 7% dos cânceres de cabeça e pescoço. Existem diversos tipos sendo o mais comum o Carcinoma Mucoepidermoide que costuma acometer linfonodos do pescoço e o Carcinoma Adenoide Cístico , muito mais grave e com alta probabilidade de invasão ao longo dos nervos e acometimento à distância por metástases, principalmente no pulmão.
Sintomas do câncer de glândulas salivares
- Nódulo ou inchaço na boca, bochecha, mandíbula ou pescoço com ou sem dor persistente
- Assimetria da face
- Perda da sensibilidade em parte do rosto (indica agressividade acometimento de nervos pelo tumor)
- Fraqueza dos músculos de um lado da face ou até paralisia facial
- Dificuldade para engolir ou nódulos no céu da boca.
Fatores de risco para câncer de glândulas salivares
- Mais comum em homens e idosos
- Exposição à Radiação prévia na região da cabeça e pescoço
- Tabagismo (Tumor de Warthin)
- Infecção crônica pelo vírus Epstein-Barr
- Exposição à pó de serra (comum em indústria da madeira)
- Exposição profissional a sílica, nitrosaminas e borracha.
Qual o tratamento do câncer de glândula salivar?
O tratamento é eminentemente CIRÚRGICO, sendo a Radioterapia, a Quimioterapia e a Imunoterapia utilizadas como adjuvância em alguns casos de tumores de alto grau ou muito avançados. A cirurgia consiste na retirada da glândula acometida junto com estruturas vizinhas invadidas pelo tumor associada ou não ao esvaziamento cervical para limpeza dos linfonodos a depender do tipo de câncer.
Quando pensamos em cirurgia de glândulas salivares, principalmente de glândula parótida é importante lembrarmos da intrínseca relação entre essa glândula e o nervo facial de modo que a grande complicação funcional dessa cirurgia pode ser a paralisia parcial ou completa do nervo facial podendo deixar o paciente com o rosto assimétrico por perda da contração muscular do lado acometido.
Para diminuir esse risco, hoje existe um Sistema de Neuromonitorização Intraoperatória do Nervo Facial. Com esse sistema podemos confirmar o funcionamento do nervo ao longo de toda a cirurgia mapeando todos os ramos individualmente e decidindo se há ou não a necessidade de reconstrução no intraoperatório.
Outras complicações que podem decorrer da cirurgia de glândulas salivares é a formação de fístulas (trajetos de saliva para pele ou cavidades), Síndrome de Frey (sudorese gustatória que pode aparecer com suor e vermelhidão no rosto após ingestão de alimentos), infecções e sangramentos.
Como tratar os cálculos de glândulas salivares? O que é sialoendoscopia?
A glândula mais acometida é a Submandibular por apresentar uma saliva mais viscosa e com maior probabilidade de precipitar a formação de cálculos. O tratamento ao longo dos anos tem sido com cirurgia a depender da localização do cálculo.
Cálculos pequenos próximos da saída do ducto dentro da boca eram tratados clinicamente com uso de antiinflamatórios e sialogogos (medicamentos que estimulam a produção de saliva). Quando grandes na mesma localização podem ser abordados por dentro da boca através de MARSUPIALIZAÇÃO E PLASTIA que consiste em abrir o ducto, retirar o cálculo e reinserir as paredes do ducto aberto no assoalho da boca. Cálculos localizados profundamente no ducto próximo a glândula eram tratados através da EXCISÃO DA GLÂNDULA SUBMANDIBULAR por via cervical.
O grande dilema era como tratar cálculos que acometiam as duas glândulas submandibulares simultaneamente ou acometiam a glândula parótida. Nesses casos a retirada das duas submandibulares poderia levar a xerostomia (boca seca) e a abordagem da glândula parótida inflamada era de alto risco para lesão de nervo facial.
Foi então que na década de 90 foi descrita a sialoendoscopia que consistia no uso de um pequeno endoscópio rígido que poderia entrar dentro dos ductos tanto da submandibular como da parótida e permitir a retirada dos cálculos com preservação das glândulas. Em 2004 foi realizada a primeira sialoendoscopia nos Estados Unidos e em 08 de Junho de 2019 o Dr. Luiz Bastos recebeu o Dr. José Higino Steck (UNICAMP) junto com grande equipe de cirurgiões especialistas em cabeça e pescoço para a realização da Primeira Sialoendoscopia no estado do Piauí para tratamento de cálculo.
A Sialoendoscopia permite além do tratamento dos cálculos, diagnosticar e tratar por dilatação estenosses dos ductos salivares e instilar medicamentos anti-inflamatórios dentro das glândulas em inflamações crônicas como pode ocorrer após uso de iodo radioativo para tratamento complementar de câncer de tireoide.
Confira no vídeo abaixo:
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MÉDICO CABEÇA E PESCOÇO EM TERESINA
Dr. Luiz Bastos
CRM-PI 4019 | RQE 2563 (Cirurgia Geral) | RQE 2564 (Cirurgia de Cabeça e Pescoço)
O Dr. Luiz Bastos é cirurgião de cabeça e pescoço com formação pela UNIFESP, domínio em técnicas avançadas e pioneirismo em procedimentos como radioablação da tireoide, cirurgia robótica e reconstruções oncológicas complexas.
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