Câncer na garganta e na laringe são mesma coisa?
Não. Apesar de estarem próximas, a garganta, ou orofaringe, é a região anatômica localizada logo atrás da cavidade oral onde encontramos as amígdalas. Ela está localizada superiormente em relação a laringe que se encontra mais abaixo no pescoço na altura do pomo de Adão, ou proeminência laríngea. A laringe é composta de várias cartilagens, ligamentos e músculos. É nela que ficam as cordas vocais responsáveis pela formação de nossa voz. Por esse motivo pacientes com Câncer na Laringe apresentam rouquidão enquanto pacientes com Câncer na Garganta apresentam dor e dificuldade para engolir. Devido a estar localizada em um local de transição entre a orofaringe e hipofaringe a laringe tem função de proteger via respiratória da entrada de alimentos e corpos estranhos (através do fechamento da epiglote, uma de suas cartilagens).
Então toda rouquidão pode ser câncer de laringe?
Também não. A imensa maioria dos casos de rouquidão é causada por laringite (inflamação das cordas vocais) secundárias por infecções respiratórias, doença do refluxo ou uso excessivo da voz (profissionais da voz como cantores, professores, profissionais de telemarketing, etc.).
Algumas lesões benignas também podem causar alterações da voz:
- Edema de Reinke (comum em fumantes)
- Papilomatose (lesão de aspecto verrucoso relacionada a infecção pelo vírus HPV extremamente recidivante)
- Nódulo vocal (comum em paciente que fazem uso excessivo da voz)
- Granuloma vocal (geralmente cicatrizes após procedimentos ou intubações prévias realizadas em cirurgias sob anestesia geral)
- Fenda laríngea
Devemos desconfiar de câncer de laringe quando houver rouquidão que persiste por mais de duas semanas em pacientes com FATORES DE RISCO:
- Tabagistas
- Etilistas
- Pessoas expostas a infecções virais por HPV ou Epstein Barr
- Pessoas acima de 65 anos
- Pessoas com exposição a agentes carcinógenos como agente laranja (herbicida) ou asbesto
- Pessoas com doença do refluxo (condição comum que gera inflamação recorrente das cordas vocais por refluxo de conteúdo do estômago através do esôfago para laringe)
Por que é importante conhecer e saber os sintomas do câncer de laringe?
É muito comum as pessoas pesquisarem no Google por“câncer de garganta foto”. Apesar de esse tipo de pesquisa parecer um exagero para muitos, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) se somarmos o número esperado de pessoas com Câncer de Laringe e Câncer de Boca no Brasil para 2025 encontraremos a cifra de 22.890 pessoas, o que torna compreensível esse tipo de pesquisa. Mais interessante é que se analisarmos apenas o subgrupo de homens nesse universo, encontramos um número de incidência que só perde para Câncer de Próstata em número de pacientes, demonstrando a relevância e o impacto social dessa doença.
Além disso, a maioria dos tumores de laringe costuma provocar sintomas ainda quando pequenos em fase inicial, principalmente quando nascem nas cordas vocais, de modo que é mais fácil descobrir o câncer e curar o paciente com o tratamento adequado.
E quais são esses sintomas?
A laringe é dividida anatomicamente em 3 porções. Via de regra, o sintoma inicial do tumor de laringe vai depender de qual região o tumor está acometendo, da seguinte forma:
- Supraglote - acima das cordas vocais (um terço dos casos): Dificuldade ou dor para engolir
- Glote - onde se encontram as cordas vocais (dois terços dos casos): Rouquidão
- Subglote ou Infraglote - abaixo das cordas vocais (raros casos): Falta de ar
Na prática clínica percebemos que em fases iniciais os sintomas são leves e não causam muito incômodo (fadiga, desconforto na garganta, eventualmente um nódulo cervical indolor, etc...) podendo ser confundidos com sintomas de doenças benignas. Porém é nesse momento que o diagnóstico precoce salva vidas e praticamente todos os paciente que não procuram auxílio médico nesse período, permitindo que o tumor tenha tempo de crescer, acaba desenvolvendo Insuficiência Respiratória e necessidade de traqueostomia de urgência por obstrução respiratória que é a evolução final dessa cadeia de sintomas.
Então, caso você apresente algum desses sintomas por mais de duas semanas agende uma consulta com um médico especialista em cabeça e pescoço. A avaliação por um profissional qualificado é fundamental para o diagnóstico precoce e aumento da chance de cura.
Como descobrir o câncer de laringe? Existe algum exame específico?
O diagnóstico do câncer de laringe exige uma combinação de Exame clínico + Laringoscopia + Biópsia.
No exame clínico o cirurgião de cabeça e pescoço realizará 3 etapas:
- Oroscopia com Palpação da Base da língua: tentar identificar através da boca tumores de laringe que acometem a supraglote e/ou ascendem acometendo estruturas superiores.
- Palpação do Pescoço: avaliar presença de nódulos cervicais que podem indicar presença de metástases do tumor em linfonodos do pescoço.
- Testar a mobilidade da laringe: perda da mobilidade da laringe látero-lateralmente pode indicar invasão da coluna ou espaço pré-vertebral que é um critério de inoperabilidade do tumor.
A Laringoscopia consiste em utilizar uma sonda (rígida ou flexível) que possui uma câmera na ponta e que é introduzida pelo nariz ou pela boca permitindo a visualização do tumor e identificação de qual porção da laringe está sendo comprometida. É um exame fundamental porque permite a realização da BIÓPSIA, que é, de fato, o exame que define se estamos diante de um tumor maligno (câncer). Ela também diz qual tipo de tumor e avalia critérios importantes na hora de se decidir que técnica operatória será utilizada caso se opte por tratamento cirúrgico.
Qual o tratamento do câncer de laringe?
O câncer de Laringe pode ser tratado com CIRURGIA, RADIOTERAPIA, QUIMIOTERAPIA ou IMUNOTERAPIA. Esses tratamentos podem ou não ser combinados e tudo depende do estadiamento do tumor. Os cânceres iniciais (Estadio I e II) geralmente são tratados exclusivamente com Cirurgia ou Radioterapia. Já os casos avançados (Estadio III ou IV) exigem uma combinação de Cirurgia + Radioterapia e/ou Quimioterapia ou Radioterapia + Quimioterapia concomitante ou Imunoterapia basicamente quando há falhas de tratamento.
Tratamento cirúrgico dos tumores iniciais de laringe (estadio I e II)
A cirurgia para retirada de tumores pequenos de laringe geralmente é feita pela boca com auxílio de um Laringoscópio de Suspensão. Esse aparelho permite a identificação dos tumores das cordas vocais com auxílio de microscópio para ampliar a imagem e favorecer a realização de biópsias e retirada segura com margens livres dos tumores. Através dele podemos utilizar as tecnologias modernas como Laser de Diodo, Laser de CO2 e ,mais recentemente, o Blue laser. Laringectomias Parciais Verticais também podem ser uma opção para tumores um pouco maiores não elegíveis para ressecção via laringoscopia de suspensão, seja devido ao tamanho ou a dificuldade de exposição.
Tumores iniciais também podem ser operados via Ressecção Robótica Transoral (TORS, de Transoral Robotic Surgery) que é um excelente método para abordar tumores de supraglote diminuindo o tempo de internação e evitando a necessidade de uso de sonda alimentar em vários casos.
A Radioterapia exclusiva também tem seu papel nos tumores iniciais por oferecer chance de cura parecida à da cirurgia em tumores pequenos com a vantagem de permitir melhor qualidade vocal após o tratamento. Claro que há algumas desvantagens como tempo maior de tratamento e efeitos colaterais locais da Radioterapia de modo que uma análise criteriosa de caso a caso pelo especialista é extremamente importante.
Tratamento cirúrgico dos tumores iniciais de laringe (estadio III e IV)
Os tumores avançados são divididos em Ressecáveis e Irressecáveis ou Inoperáveis. Quando ressecáveis geralmente exigem a realização de uma Laringectomia Total (cirurgia onde se realiza a retirada de toda a laringe incluindo as cordas vocais) associada a Radioterapia e/ou Quimioterapia adjuvantes (feitas após a cirurgia). Como consequência o paciente que é submetido a esse procedimento perde a VOZ necessitando de reabilitação no pós operatório que pode ser feita de 3 formas:
- Treinamento de VOZ ESOFÁGICA por equipe de Fonoaudiologia especializada (ensinar o paciente a direcionar o ar do estômago para cima fazendo vibrar a faringe e produzindo som) - voz de pior qualidade, mas encontrada e de difícil aprendizado.
- Uso de LARINGE ELETRÔNICA (aparelho que transmite vibração para faringe através de aplicação direta no pescoço ou na boca através de uma sonda) - fácil aprendizado, depende do aparelho, qualidade de voz robotizada.
- PRÓTESE VOCAL ou TRAQUEO-ESOFÁGICA (pequena prótese unidirecional que é aplicada após criação cirúrgica de uma fístula traqueo-esofágica) - voz de melhor qualidade, fácil aprendizado, porém mais cara e que exige troca ambulatorial de prótese a cada 6 meses.
Casos selecionados de tumores avançados podem ser ressecados com Laringectomias Parciais Horizontais na tentativa de preservação da função fonatória. Os casos irressecáveis são encaminhados para combinação de tratamento com Radioterapia e/ou Quimioterapia e/ou Imunoterapia.
O Dr. Luiz Bastos possui larga experiência com realização de Laringoscopias de Suspensão para retirada de tumores de Laringe, tendo sido o primeiro Cirurgião de Cabeça e Pescoço do Piauí a participar de procedimento com a realização do Blue laser. Também realizou a primeira Laringectomia Horizontal Supracricóidea com THEP (Traqueo-Hióideo-Epigloto-Pexia) e a primeira Laringectomia Total com Uso de Grampeador Cirúrgico Linear (o que reduz tempo cirúrgico e incidência de fístula pós operatória) no estado do Piauí. Liderou como uma de suas missões de vida a busca pela implementação da Prótese Vocal no Sistema Público de Saúde do Piauí atingindo êxito com a colocação da Primeira Prótese PROVOX Vega no Hospital São Marcos (maior hospital oncológico do estado) orientando um dos membros da equipe. Hoje os pacientes do SUS atendidos no Hospital São Marcos que perderam a voz no tratamento do câncer conseguem acesso a reabilitação com prótese fonatória.
Cordas vocais (tumor na na corda vocal direita)
Câncer de laringe, uso de grampeador
Como prevenir o câncer de laringe?
- Evitar uso de álcool ou qualquer tipo de tabagismo
- Usar preservativo nas relações sexuais
- Vacinar-se contra o HPV
- Manter uma alimentação saudável
- Praticar atividades físicas
- Evitar exposição a agentes carcinógenos
Agende uma consulta com Dr. Luiz Bastos e tire suas dúvidas.
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MÉDICO CABEÇA E PESCOÇO EM TERESINA
Dr. Luiz Bastos
CRM-PI 4019 | RQE 2563 (Cirurgia Geral) | RQE 2564 (Cirurgia de Cabeça e Pescoço)
O Dr. Luiz Bastos é cirurgião de cabeça e pescoço com formação pela UNIFESP, domínio em técnicas avançadas e pioneirismo em procedimentos como radioablação da tireoide, cirurgia robótica e reconstruções oncológicas complexas.
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